sábado, 26 de maio de 2012

Eu vi as antigas garrafas de Xaropes!


Relembrar é uma forma interessante de ver como o mundo pode ter mudado, sim é verdade! E necessitamos de mudanças, sempre, por que sempre desejamos ser melhores, mesmo quando desejamos as permanências. Pensando nisso resolvi escrever esse texto, sem muitos objetivos ou expectativas, apenas relembrar e comparar. Esta semana estive em uma grande farmácia da minha cidade, e percebi em duas prateleiras vizinhas (ambas contendo xaropes) bons exemplos das mudanças que o mundo pode vir a passar.

Eu sou de um tempo (saudoso isso, não?) onde tomar xarope era sinônimo de “medicina natural”, rústica, bem como era indício de que alguém por perto gosta de você: Tomar xaropes era não só se medicar, mas também lembrar experiências passadas, visto que muita gente tem uma história (ou uma cara feia de coisa azeda) que está relacionada a tomar xaropes.

Naquele tempo, garrafas de xaropes eram de vidro, com tonalidade amarrozanda, semelhante a garrafas de cerveja. Se você os comprasse em feiras, essas garrafas teriam uma rolha de cortiça ou até mesmo um pedaço de jornal improvisado como tampa, se ele fosse comprado em uma farmácia, a garrafa seria encerrada com uma resumida tampa plástica transparente e tudo bem.

Os rótulos consistiam em papel com escrita mimeografada (aquela mesma de cor azulada) e a estrutura do texto parecia mais um formulário de pesquisa, visto que marcações com “X” em quadradinhos sempre vinham completando as informações sobre o líquido.  Ah! Os rótulos também sempre vinham atormentados por gotas acidentais do processo de engarrafamento, parecia que xarope bom era aquele artesanal, assim, esses acidentes lhes atribuíam um caráter genuíno: “Tome esse Xarope que tudo de ruim dos peito sai, logo logo!”

Atualmente, tudo parece ter mudado, xaropes possuem garrafas plásticas e caixas de papelão trabalhado (parecem com “souvenir gran-fino”). Possuem Bula, e seus nomes são estranhos, cheios de consoantes, resultantes de uma complexa orientação classificatória, onde o nome do produto deve representar a substância. Os rótulos não são mais de papel e as informações do líquido estão impressas e detalhadas na própria garrafa, com descrição e concentração dos componentes. As tampas muitas vezes são “hightech” e acumulam a função de vedar e de dosar a quantidade recomendada para ingestão. Quando não, podem vir acompanhadas de copinhos plásticos, com os mililitros graduados em alto relevo, quebrando o encanto da colher de sopa que era atenciosamente levada a nossa boca, por alguém especial.

Pois é, ir à farmácia também me mostrou que o mundo mudou, que as garrafas de xarope também mudaram... Espero eu, que tenha mudado por uma motivo respeitoso e raciocinado, por que sempre queremos mudar, mesmo quando queremos tudo igual.