terça-feira, 6 de setembro de 2011

A Família & O Jovem que temos.PT 3

É claro que a punição faz parte do processo educativo, porém ela não está sozinha nesse processo, assim como não deve ser mostrada como o motivo da educação. As pessoas precisam entender que as normas devem ser cumpridas para que possamos ganhar um benefício coletivo, e não para perdermos um prejuízo individual. Assim, a punição é útil quando proporciona uma nova construção de valores para ambas as partes, educadores e educandos.
É necessário também evitar castigos pesados para erros leves, isto além de gerar revolta nos punidos, banaliza o processo punitivo fazendo com que o mesmo possa tornar-se obsoleto. Se punirmos o ladrão de galinhas com a morte, o que faremos com o assassino? Defendo o conceito de que uma punição retira e pretende devolver o individuo ao cotidiano e suas atividades, assim, a própria Pena de morte deixa de ser uma punição, visto que impossibilita o retorno ao convívio social. Para as questões domésticas de educação, temos de ter sempre a idéia de que o jovem, ou qualquer outro indivíduo, deve ser punido para aprender, e não para ser humilhado, principalmente dentro de casa.
No dia-dia as insatisfações são múltiplas, e quase que inevitáveis, e elas estão presentes também no processo educativo. Com isso, há de se ter muito cuidado com o uso dos instrumentos de educação doméstica. O açoite (mais conhecido como tapinhas, tapões ou verdadeiras surras) são os instrumentos mais “ameaçáveis” e temidos no ambiente doméstico. Muitos dizem que as “palmadinhas” não doem nem machucam, mas então, qual é a outra utilidade das palmadinhas senão a de causar dor?
Porém algumas pessoas conseguem dar novos significados a essas marcas causadas pela dor, evitando que isso se transforme em duradouras mágoas. Como soldados veteranos de guerras podem passar a enxergar as suas cicatrizes físicas como carimbos do patriotismo bélico ou qualquer outro tipo de serviço por um bem maior e para um número de pessoas maior, porém, existe uma grande diferença da guerra para o ambiente domestico. Fora o fato de a educação não se tratar de uma competição tão intensa, onde matar mais significa ter mais chances de ficar vivo, na guerra, como em qualquer outro lugar, aquele que te agride é facilmente visto como inimigo, já dentro de casa... Essa lógica é proibida! Seus pais de forma alguma podem ser vistos como seus inimigos!
Em conversas com pessoas diversas, podemos colher variados registros de agressões: Crianças acordadas de madrugada para serem surradas, outras eram despidas antes de punidas, e por ai vai... A meu ver, a coisa pode se complicar quando a prática de punir tão severamente é movida por debilidades psicológicas ocultas nos pais, aqui a subjugação pela força lhes servem de analgésicos para frustrações e medos de longa data.
E o que é ruim, pode ficar ainda pior se as pessoas a serem agredida (com o rótulo de punição) chegam a idade adulta e ainda assim tem de conviver com essas agressões, mesmo que no plano da ameaça. São poucos os adultos que verão com as lentes da normalidade outro adulto que se intitula digno de te agredir. Principalmente se somarmos a isso a antiga barreira moral de que os agredidos não podem se defender, de qualquer forma que seja.